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São Gião da NazaréUm pequeno templo da época visigótica. Estudos (contraditórios) de arqueólogos e historiadores permitiram um conhecimento do edifício e a elaboração do projecto de restauro do monumentoEncontrado em 1965, mas nunca foi aberto ao público, por se encontrar em ruínas. A equipa de arquitectos, chefiada por Vítor Mestre, e de engenheiros, coordenada por João Appleton, concluiu os projectos que conduzirão ao início das obras de restauro e que mostrar «uma igreja que já foi casa agrícola». A ermida encontra-se estabilizada estruturalmente ao mesmo tempo que se realizou a escavação arqueológica dentro e na periferia do edifício o que nos levou a perceber como era a capela antes de ser uma mistura de várias épocas. A investigação arqueológica abrangeu, além do sub-solo, as paredes do edifício, tendo concluído que o monumento passou de capela a casa rural por volta do século XVIII. Os estudos permitiram ainda concluir que houve ocupação nesta zona desde o século VII e até ao século XII, altura em que aparece a capela cristã (visigótica) com a dimensão que as actuais obras lhe vão conferir. Os estudos arqueológicos foram coordenados por Luís Fontes da Universidade do Minho, Luís Caballero Zoreda, da Universidade de Madrid, e Maria Ramalho do IPPAR. Quando as obras de restauro estiverem concluídas, o público visitará uma igreja com mais de mil anos. O monumento é composto por uma nave central e pelo iconostasis (três arcos que dividem o povo do «sagrado». A Igreja de São Gião é um templo visigótico situado na Quinta de São Gião, na freguesia de Famalicão, a 5 km a sul da Nazaré e a 500 m do mar, junto às dunas da zona costeira. Foi descoberto por Eduíno Borges Garcia, em 1961 e classificado como Monumento Nacional pelo Decreto-Lei n.º1/86, de 3 de Janeiro. É considerado um dos templos paleocristãos mais antigos em território português. Um pequeno templo de planta rectangular, com uma só nave de 6,6 m por 3,9 m, sem janelas. Sobre a porta de entrada teria existido uma tribuna de madeira. O tecto é em madeira com vigamento à vista. O cruzeiro é separado da nave por uma iconóstase, constituída por uma parede com uma porta central de arco ultrapassad e duas janelas laterais semelhantes. Este elemento isola o altar e o coro, ou seja, a parte do santuário, semelhante a um pequeno transepto, reservada ao clero, da nave central, reservada aos fiéis. A ermida tem uma estrutura frágil, a sua descoberta tardia foi um acontecimento espantoso. O seu aspecto exterior é rústico, principalmente devido ao facto de ter um anexo simples (talvez do século XV). A nave transversal tem, de cada lado, uma arcada dupla em ferradura assente numa coluna com capitel coríntio. As arcadas fariam a comunicação entre a nave transversal e uma zona reservada que faria ligação ao presbitério. Este, actualmente destruído, possuía uma planta rectangular e uma cobertura em abóbada ou de canhão, ou de meia-cúpula. A nave era ladeada por duas ou mais divisões que a acompanhariam longitudinalmente e a que se teria acesso por portas simples. Um monumento-tipo representativo da liturgia da época visigótica. A igreja teve as suas origens no século VII, no local antes ocupado por um templo romano dedicado a Neptuno. Em resultado de novos estudos, a igreja já é considerada como um dos poucos exemplares de templos asturianos conhecidos no nosso país, o que a dataria numa época posterior. O estudo de Arqueologia da Arquitectura feito em 2003 por Caballero, Arce e Utrero parece evidenciar esta tese, através da integração de fragmentos escultóricos da época visigótica nos muros da Igreja, o que pressupõe uma época posterior de construção. Além dos argumentos já indicados, que a ajudam a classificar como um templo de características asturianas, há a presença de uma câmara supra-absidal, além dos capitéis vegetalistas da iconóstase, e a sua organização em andares. Alguns autores datam-na do século X, já que apresenta elementos arquitectónicos e decorativos já influenciados pelo estilo moçárabe. Outros autores descrevem o templo como sendo o que resta de um pequeno cenóbio de monges cristãos do período visigótico que se teria mantido em funções durante o período de ocupação muçulmana como local de residência de monges cristãos moçárabes. Bibliografia
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