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Sines Os Romanos foram os primeiros a fazer de Sines um centro
portuário e industrial. Protegida das nortadas, a baía de Sines
era o porto marítimo da cidade de
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| Pedestal de estátua de Marte. Mármore de Trigaches. O pedestal, encontrado nas muralhas do castelo de Sines, aponta para a existência de um povoado romano importante sobre a arriba. |
A pedras usadas no castelo de Sines denunciam os povos que se instalaram naquele lugar. Em 1961, José Miguel da Costa extraiu das suas muralhas várias pedras da época romana.
Uma delas, o pedestal de uma estátua de Marte, permite esboçar a fisionomia da urbe e avaliar da sua importância. O pedestal, em mármore, tem uma inscrição muito erodida que indica que as estátua foi mandada erguer por disposição testamentária de um sacerdote encarregado do culto imperial.
De acordo com as deduções de José dEncarnação, teria de haver em Sines um espaço público onde a estátua fosse apresentada talvez um templo, sobre a qual terá assentado, posteriormente, a basílica visigótica; talvez uma praça, digna e movimentada o suficiente para nela ser mostrada a estátua do deus da guerra, de que o imperador era avatar.
A necrópole romana pode ter-se situado no centro de Sines,
a actual praça Tomás Ribeiro. No Museu Arqueológico de
Sines está exposta uma lápide encontrada no castelo. Uma segunda
necrópole (de incineração) foi encontrada na Feiteira de
Cima. Muito danificada pela lavoura, não teve exploração
arqueológica. Situa-se no Monte Chãos, o agro da Sines romana,
onde os patrícios tinham as suas
villas e terras de cultivo.
Na courela da Quitéria, Carlos Tavares da Silva e Joaquina
Soares sondaram uma
villa do século I muito destruída,
onde ainda encontraram restos de calçada e de um hipocausto (forno de
aquecimento da casa ou das termas).
O pequeno canal da
Ilha do Pessegueiro também manteve
funções portuárias durante o período romano.
Está ligada a Arandis (Garvão, Ourique).
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| Barco a remos, para carga. |
Uma das hipóteses da origem da toponímia de Sines deriva, aliás, do étimo latino sinus (que significa baía ou seio a configuração do cabo visto do alto do Monte Chãos), o que quer dizer que o interesse da povoação provém da utilização da sua enseada.
O
Museu Arqueológico de Sines tem dois cepos de
âncora (séculos I ou II n.E.), encontrados em 1967, a 150 metros
da costa de São Torpes, que testemunham o curso de barcos romanos pela
costa alentejana.
É possível que o mar de Sines também fosse
interessante pela abundância do molusco thais haemastona, de onde
se extraía a
púrpura utilizada em tinturaria.
As marcas de cerâmica estrangeira (sigillata) encontradas dentro e fora do castelo têm sido utilizadas para definir a extensão do perímetro comercial em que Sines se incluía até à Hispânia? Até à Itália? Até à África (Tunísia)?
Há exemplares expostos no
Museu Arqueológico de Sines. Mas, no século
romano de Sines I DC , a função comercial é
complementada pela industrial.
Em 1961, José Miguel da Costa, em escavações
no exterior da cerca do castelo de Sines, no Largo João de Deus,
localizou
fábricas de salga e um forno de
cerâmica (onde se terão produzido ânforas para o envase dos
produtos salgados).
Na década de 1990, os arqueólogos Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares (MAED, Setúbal) procedem a uma nova escavação e a um trabalho mais sistemático sobre as ruínas.
As cetárias estão neste momento expostas e enquadradas, sendo possível visitá-las no Largo João de Deus, em Sines.
À medida que as salgas de Sines decaem, desenvolvem-se as da Ilha do Pessegueiro, mais próxima dos pesqueiros.
Tal como a baía de Sines, a
Ilha do Pessegueiro forma um dos poucos portos
naturais do litoral alentejano. Por maior proximidade aos pesqueiros, a
Ilha do
Pessegueiro foi substituíndo Sines na produção de
salgas, à medida que o século II avança.
Última visita do autor a este sítio: Agosto de 2010.
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