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Sines

Os Romanos foram os primeiros a fazer de Sines um centro portuário e industrial. Protegida das nortadas, a baía de Sines era o porto marítimo da cidade de veja páginaMiróbriga (concelho de Santiago do Cacém).

A fábricas de salga de peixe enterradas do actual Largo João de Deus são a primeira indústria de Sines.

O povoamento estável do coração de Sines – zona do castelo – começa com os Romanos. As qualidades da baía – protegida das nortadas – num litoral alentejano com pouco abrigos naturais conferem-lhe interesse portuário.

Será a saída para o mar da cidade de veja páginaMiróbriga, a 17 quilómetros. Há registos de que Marco Júlio Marcelo, edil mirobrigense (século I), investiu parte importante do seu dinheiro em embarcações, possivelmente para viagens entre Sines e algum porto mediterrânico.

Marte
Pedestal de estátua de Marte. Mármore de Trigaches. O pedestal, encontrado nas muralhas do castelo de Sines, aponta para a existência de um povoado romano importante sobre a arriba.
O núcleo urbano da Sines romana

A pedras usadas no castelo de Sines denunciam os povos que se instalaram naquele lugar. Em 1961, José Miguel da Costa extraiu das suas muralhas várias pedras da época romana.

Uma delas, o pedestal de uma estátua de Marte, permite esboçar a fisionomia da urbe e avaliar da sua importância. O pedestal, em mármore, tem uma inscrição muito erodida que indica que as estátua foi mandada erguer por disposição testamentária de um sacerdote encarregado do culto imperial.

De acordo com as deduções de José d’Encarnação, teria de haver em Sines um espaço público onde a estátua fosse apresentada – talvez um templo, sobre a qual terá assentado, posteriormente, a basílica visigótica; talvez uma praça, digna e movimentada o suficiente para nela ser mostrada a estátua do deus da guerra, de que o imperador era avatar.

A necrópole romana pode ter-se situado no centro de Sines, a actual praça Tomás Ribeiro. No Museu Arqueológico de Sines está exposta uma lápide encontrada no castelo. Uma segunda necrópole (de incineração) foi encontrada na Feiteira de Cima. Muito danificada pela lavoura, não teve exploração arqueológica. Situa-se no Monte Chãos, o agro da Sines romana, onde os patrícios tinham as suas veja páginavillas e terras de cultivo.

Na courela da Quitéria, Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares sondaram uma veja páginavilla do século I muito destruída, onde ainda encontraram restos de calçada e de um hipocausto (forno de aquecimento da casa ou das termas).

O pequeno canal da veja páginaIlha do Pessegueiro também manteve funções portuárias durante o período romano. Está ligada a Arandis (Garvão, Ourique).

Barco de carga
Barco a remos, para carga.

Uma das hipóteses da origem da toponímia de Sines deriva, aliás, do étimo latino sinus (que significa baía ou seio – a configuração do cabo visto do alto do Monte Chãos), o que quer dizer que o interesse da povoação provém da utilização da sua enseada.

O veja páginaMuseu Arqueológico de Sines tem dois cepos de âncora (séculos I ou II n.E.), encontrados em 1967, a 150 metros da costa de São Torpes, que testemunham o curso de barcos romanos pela costa alentejana.

É possível que o mar de Sines também fosse interessante pela abundância do molusco thais haemastona, de onde se extraía a veja páginapúrpura utilizada em tinturaria.

As marcas de cerâmica estrangeira (sigillata) encontradas dentro e fora do castelo têm sido utilizadas para definir a extensão do perímetro comercial em que Sines se incluía – até à Hispânia? Até à Itália? Até à África (Tunísia)?

Há exemplares expostos no veja páginaMuseu Arqueológico de Sines. Mas, no século romano de Sines – I DC – , a função comercial é complementada pela industrial.

Em 1961, José Miguel da Costa, em escavações no exterior da cerca do castelo de Sines, no Largo João de Deus, localizou veja páginafábricas de salga – e um forno de cerâmica (onde se terão produzido ânforas para o envase dos produtos salgados).

Na década de 1990, os arqueólogos Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares (MAED, Setúbal) procedem a uma nova escavação e a um trabalho mais sistemático sobre as ruínas.

As cetárias estão neste momento expostas e enquadradas, sendo possível visitá-las no Largo João de Deus, em Sines.

Ilha do Pessegueiro

À medida que as salgas de Sines decaem, desenvolvem-se as da Ilha do Pessegueiro, mais próxima dos pesqueiros.

Tal como a baía de Sines, a veja páginaIlha do Pessegueiro forma um dos poucos portos naturais do litoral alentejano. Por maior proximidade aos pesqueiros, a veja páginaIlha do Pessegueiro foi substituíndo Sines na produção de salgas, à medida que o século II avança.

Última visita do autor a este sítio: Agosto de 2010.

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