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Ossónoba (Faro)

A cidade portuária mais importante do sul da Lusitânia. Por Ossónoba escoava-se boa parte dos produtos explorados na região; aqui chegavam os mais variados produtos e gentes de todos os pontos do Império, mas também múltiplas influências culturais e religiosas.

Ossónoba era a mais importante e mais cosmopolita cidade do Algarve romano. De provável fundação fenícia, tem o seu esplendor durante os séculos I e II d.C., o que é testemunhado por uma rica epigrafia que se pode ver no Museu Municipal da cidade, situado no coração da cidade romana.

Por aqui passavam as principais vias do Algarve romano de que as fontes clássicas nos dão conta. A presença dos motivos marinhos nas moedas e mosaicos, como os de Milreu ou o do Oceano do Museu de Faro, testemunham a importância do mar como principal recurso económico da região ligado ao comércio, à pesca e à mariscagem

Ossonoba, de acordo com a informação de um marco miliário, ficava a XVI milhas de Balsa. Estas cidades portuárias, que viviam em estreita relação com o mar, eram ligadas pela via longitudinal.

Situada em plena Ria Formosa, ainda hoje muita gente vive dos recursos que a ria oferece. Os cheiros marítimos proporcionados sobretudo pela riqueza biótica da ria Formosa, na antiguidade tal como hoje, são marcas indeléveis que ficam na memória dos visitantes.

Na antiguidade a cidade teria 3 a 4 Km² de extensão, de acordo com os vestígios que frequentemente aparecem na actual área urbana. Seria quase na totalidade rodeada pelo mar que estenderia vários braços pelo interior da cidade. Nos seus arredores os mais ricos implantaram as suas villae agrícolas decoradas com ricos mosaicos de que Milreu é o exemplo mais significativo. Aqui afluíam gentes de toda a região para fazer comércio e participar na intensa actividade do seu porto.

 

No século III a.C., altura em que Cartagineses e Romanos lutavam pelo domínio do Mediterrâneo, Roma invade a Península Ibérica, governando-a até ao século V d.C. Com os Romanos a cidade perde o carácter de entreposto comercial e transforma-se em urbe.

A Vila-a-Dentro estrutura-se segundo dois eixos principais (actuais Ruas do Município e do Repouso), ambos de acesso a uma área central, o Forum, onde se implantavam os edifícios administrativos e religiosos mais importantes. De entre eles salienta-se o Templum, cuja localização coincidia, parcialmente, com a da actual Sé, se bem que a uma cota cerca de três metros abaixo.

A Vila-a-Dentro ocupava então uma área inferior àquela que hoje ocupa e teria sido muralhada sobre o traçado da actual circular interior (Ruas Monsenhor Boto, Rasquinho e antiga Travessa das Freiras).

Pouco a pouco a cidade desenvolve-se e salta para o exterior das muralhas, estabelecendo-se então dois núcleos extramuros: o primeiro, na zona do Lethes-Alagoa-Artistas, acompanhando o traçado dos canais; o segundo, de estrutura linear, sobre o traçado da actual Rua Conselheiro Bivar.

Envolvendo estes núcleos constituiu-se uma vasta zona de construção dispersa, onde se situavam as hortas que abasteciam a cidade, e hoje são descobertos inúmeros vestígios de edificações, estatuária, utensílios vários e túmulos um pouco por toda esta área.

O desenvolvimento da cidade correspondia à actividade comercial que a agricultura, a pesca e a utilização do seu porto proporcionavam. Neste período, Ossónoba atinge alguma opulência, tendo sido descrita como uma das mais importantes cidades do Império.

A partir do ano 50 d.C., desenvolveu-se na cidade uma importante comunidade cristã que foi determinante na sua caracterização. No ano 300 já era sede de Bispado, cujo Bispo Vicente esteve presente, em Granada, no primeiro Sínodo das Hespanhas.

Durante o século IV, com o declínio do poder imperial de Roma, a civilização do tipo urbano descentraliza-se para as villae, sedes de grandes latifúndios e centros de poder político, económico e religioso.

Em Ossónoba adaptam-se templos pagãos a templos cristãos, iniciando-se um processo de cristianização, que culmina com a sua conquista pelos Visigódos, no ano de 414.

Museu Arqueológico

Glossário

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