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O povoado calcolítico de Vila Nova de São Pedro

Este sítio arqueológico está classificado como Monumento de Interesse Nacional, mas em vergonhoso estado de degradação e abandono.

A localização geo-estratégica deste importante povoado calcolítico conferia-lhe excelente visibilidade e condições naturais de defesa.

A sua riqueza material é de grande valor para a compreensão dos aspectos mais relevantes das sociedades camponesas pré-históricas. Apresenta uma ocupação longa que terminaria num momento indeterminado da Idade do Bronze.

Imponente fortificação do Calcolítico, o sítio de Vila Nova de São Pedro apresenta três linhas de muralhas que traduzem várias fases de ocupação.

O povoamento de Vila Nova de São Pedro localiza-se num outeiro, com cerca de 100 m de altitude, junto á Ribeira de Almoster que desagua no Rio Maior, afluente da margem norte do Tejo.

O curso de água seria a grande via de comunicação dos habitantes do povoado. O facto de Vila Nova de São Pedro se encontrar a meia distância entre o Oceano Atlântico e o Tejo, dar-lhe-ia importância estratégica na rede de povoados calcolíticos estremenhos.

Forno de cerâmica
Em cima: Forno de cerâmica em VNSP. Em baixo: localização do forno junto à primeira linha de muralhas.

Uma das descobertas mais importantes ocorreu em 1939. À entrada do povoado, encontraram-se depositados no fundo de uma fossa, animais sacrificiais (bovídeos), sobre um dos quais fora colocada grande vasilha de cerâmica, contendo restos de alimentos.

Espólio

Em VNSP foram recolhidos objectos de cerâmica, pontas de seta, utensílios de uso doméstico, tais como facas de sílex e em quartzo, goivas, machados, pesos de tear e raspadores e artigos de culto, placas de xisto e ídolos cilíndricos em calcário. Os objectos aqui encontrados estão expostos no Museu Arqueológico do Convento do Carmo, em Lisboa.

Publicações

Os copos no povoado calcolítico de Vila Nova de São Pedrowww.ipa.min-cultura.pt/pubs/RPA/v6n2/folder/181.pdf. O estudo aprofundado de conjuntos artefactuais como os “copos canelados” de Vila Nova de São Pedro constitui uma necessidade para melhor compreender a formação das novas sociedades agro-metalúrgicas em Portugal.

Recolhidos entre os anos 30 e 60 do século passado, em dezenas de campanhas de escavação, e parcialmente publicados por Afonso do Paço, importa agora analisar estes recipientes cerâmicos numa perspectiva mais actual.

Materiais desde cedo valorizados como indicadores culturais da Idade do Cobre Inicial, caracterizam-se, genericamente, por corpo de forma sub-cilíndrica, oferecendo, por norma, pastas e tratamentos de grande qualidade, mostrando, muitas vezes, motivos decorativos, onde se destacam os canelados e os espinhados.

O trabalho aponta novas interpretações, relacionadas essencialmente com as características, origens e cronologias dos “copos canelados” do povoado de Vila Nova de São Pedro, através de uma análise ao nível formal, técnico e decorativo. Autora: Sónia Duarte Ferreira, Revista portuguesa de arqueologia, Vol. 6, Nº. 2, 2003, pp. 181-228

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