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Los Millares: Baluarte dos orientalistas

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As teses difusionistas que dominaram as teorias arqueológicas na primeira metade do século xx pretendiam explicar o fenomenal desenvolvimento de Los Millares como sendo o esforço de povos não-indígenas.

Segundo este esquema, a metalurgia aí observada seria resultado da colonização deste sítio por povos vindos do Egeu; a evidência empírica estaria manifestada nos tholoi e nas fortalezas da Grécia...

Os “orientalistas” definiram a primeira cronologia de Los Millares para 2.300 a.n.E.; mas as datações de radiocarbono tem mostrado que o povoado já existia antes; a metalurgia intensiva que aí aconteceu é pois uma continuação da anterior Cultura de Almería.

Claro que a hipótese mais provável de uma gênese indígena não exclui a possibilidade de contactos com outras culturas do Mediterrâneo. Não foram os arqueólogos alemães e britânicos os únicos a esgrimirem a tese da colonização.

Ainda em 1989, Victor dos Santos Gonçalves escrevia:

“A sua contrução (de Los Millares) dificilmente me parece atribuível a um povo indígena. Não há ali a proximidade com o mar detectada nos sítios referidos (Zambujal e Vila Nova de São Pedro). Mas há um plano de construção que não visa apenas proteger um núcleo de habitação contra ataques esporádicos.
O complexo que engloba a fortificação de Los Millares e os fortins de protecção é um verdadeiro acto de engenharia militar... A multiplicação dos pontos defensivos na muralha principal e, sobretudo, a construção e estratégia de implantação dos fortins denunciam uma sociedade altamente organizada, assumindo à partida todas as precauções em territórios hóstis.”

(Victor dos Santos Gonçalves, Megalitismo e Metalurgia, 1989).

Desde 1891, data em que Los Millares foi descoberto por acaso, até hoje, têm-se alternado momentos de febril actividade escavadora com largos interregnos de abandono.

Passado quase meio século sobre as escavações de Louis Siret em Los Millares, os materiais e a documentação – muita ainda inédita! – foram directamente utilizados pelo casal Georg e Vera Leisner.

Os Leisner publicam-los na monumental obra As necrópoles megalíticas do Sul da Península Ibérica, publicada em Berlim em magnífica edição, em pleno ano de guerra, em 1943.

São materiais da colecção de Siret, que os Leisner puderam consultar em Las Herrerías – além de receberem directamente do engenheiro belga todo o tipo de informação e ajuda complementária para a sua análise.

Com os Leisner renascem as teses difusionistas postulando que os túmulos teriam sido erguidos por povos vindos do Egeu. Se bem que o casal não tivesse feito a mínima escavação, nem no povoado, nem na necrópole, deve-se aos dois arqueólogos alemães terem dado a conhecer pela primeira vez à comunidade arqueológica o esforço rea­lizado por Pedro Flores e Louis Siret.

Foram os Leisners também os primeiros a arriscar uma cronologia das etapas de ocupação de Los Millares.

Hoje, não restam dúvidas que o desenvolvimento deste povoado foi uma manifestação autóctone. Los Millares estava

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