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Povoado calcolítico de Leceia

Um dos mais importantes e significativos povoados calcolíticos da Península Ibérica.

Forno de cerâmica
Linha de muralha, com dois bastiões. Projecto de conservação do arqueólogo João Luís Cardoso.
O povoado fortificado

Numa época em que se estabeleceram as primeiras rotas comerciais regulares, o povoado fortificado de Leceia corresponde a uma pequena cidadela localizada sobre uma escarpa rochosa que dá para o vale da ribeira de Barcarena e defendida através de um elaborado sistema de muralhas, dotadas de bastiões.

Rampas de acesso e portas, cabanas e lareiras domésticas, eiras, lajeados e possíveis lixeiras, etc. - assim como abundantes utensílios em pedra, cerâmica, osso e metal, bem como restos de consumo diversos - dão corpo a um recinto habitacional complexo, rico de informações acerca dos modos de vida de uma população que, no terceiro milénio antes de Cristo, constituiram um dos principais pólos de fixação humana à entrada do Tejo.

O estabelecimento de um povoado no Neolítico Final, e a subsequente construção durante o Calcolítico Inicial indicam o apreciável desenvolvimento de uma economia agro-pastoril.

Os primeiros trabalhos arqueológicos aqui realizados, sob a orientação de Carlos Ribeiro, datam do século XIX, mas só à pouco mais de duas décadas é que se iniciaram escavações metódicas.

Desde 1983, ano em que estava iminente a destruição desta jazida arqueológica, que o estudo deste local está a cargo de João Luís Cardoso.

Com uma extensão conhecida de cerca de 5000 m2, este povoado fortificado revelou vestígios correspondentes a aproximadamente 1000 anos de ocupação, distribuidos em quatro fases, que vão desde o Neolítico Final (c. 3.000-2.500 A.C.) até ao Calcolítico Final (c. 2.000 A.C.).

Quer as estruturas habitacionais, quer o dispositivo defensivo (organizado em três linhas e constituído por muralhas e bastiões) foram edificados num local elevado e com boas condições naturais, de forma a responder a necessidades de ordem defensiva e económica.

Na última etapa da ocupação, temos evidência de cerâmicas campaniformes.

Forno de cerâmica
Linha de muralha, com bastiões. As passarelas permitem ao visitiam passear por cima das ruínas, sem danificar as partes restauradas e conservadas. Vê-se o embasamento de uma eira, construção comunitária situada do lado interno da 1ª linha defensiva. Calcolítico inicial.
Um projecto exemplar de conservação, da autoria do arqueólogo João Luís Cardoso.

O vale da Ribeira de Barcarena é uma região fértil e que na altura da ocupação do povoado deveria estar mais próximo do litoral, pois o nível do mar situava-se então acima do actual (foram encontrados vestígios de moluscos). Esta situação provocou o aumento da produção agrícola (vestígios de mós manuais e foices), a consequente acumulação de excedentes (presença de mós).

Publicações

João Luís Cardoso. O povoado pré-histórico de Leceia no quadro da investigação, recuperação e valorização do património arqueológico português. Arqueólogo especialista do património, este docente do Departamento de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Aberta tem vindo, desde há vinte anos, a coordenar a investigação de Leceia.

Exposições

O povoado de Leceia : Sentinela do Tejo no terceiro milénio a.C.

Datas: 17 de Julho de 1997 a 5 de Abril de 1998: Museu Nacional de Arqueologia e Câmara Municipal de Oeiras. Comissariado científico: João Luís Cardoso: Apresentação monográfica do Povoado de Leceia (Oeiras)

A exposição, organizada conjuntamente pelo Museu Nacional de Arqueologia e a Câmara Municipal de Oeiras, revela ao visitante o sítio de Leceia, em toda a sua magnificência, através de maquetas muito pormenorizadas, de objectos arqueológicos, de textos, de mapas e plantas. O cenário de Leceia, construído nos Jerónimos, pode finalmente ser completado por passeio ao próprio local, no âmbito de circuitos de visita expressamente organizados para o efeito pela autarquia.

Localização

Barcarena. Estrada Municipal 579-1 (Leceia)

Horário: de Segunda-feira a Sexta-feira das 14h00 às 17h00 (Encerra Sábados e Domingos) Entrada: Gratuita

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